Selecione seu estilo

Escolha seu layout

Esquema de cores

climbing-wall-364397_1920

Você consegue enxergar alguma semelhança entre o educar e a parede de escalada?

Por pensar, ler e escrever bastante sobre Educação, ultimamente, consigo criar analogia com as mais variadas atividades que surgem na minha frente. Porém, a escalada foi a que mais me botou reflexiva.

Isso porque, certa vez, enquanto minha filha testava, ludicamente, suas habilidades, entrei, sem querer, em um bate papo explicativo sobre tal esporte. Não levou muito tempo – algo sobre regras, equipamentos e outras especificidades – apenas o suficiente para eu elencar comparações entre uma coisa e outra, na minha cabeça, claro.

Reproduzirei logo abaixo, primeiramente, as informações destinadas a mim e às poucas pessoas presentes.

Segundo a simpática monitora, a modalidade de escalada indoor, surgiu da iniciativa de um pequeno grupo de montanhistas, que sentiram a necessidade de criar, em um local protegido, uma estrutura que simulasse as adversidades externas, com o intuito de treinamento. A ação desenvolvida por eles ganhou notabilidade e cadeira cativa, após atrair olhares interessados de outros escaladores e empresas patrocinadoras.

A estrutura consiste em uma parede com agarras que simulam as fendas e saliências das rochas. Quanto mais agarras, maiores são as possibilidades de criação de novos caminhos, evitando repetições. A proteção é realizada por uma pessoa que fica no solo e que se conecta com o esportista por meio da corda, que se mantém vinculada a outros equipamentos de segurança, como a cadeirinha, os mosquetões e os freios, por exemplo, que visam diminuir o impacto de choques e eventuais quedas, sem reduzirem a liberdade de movimentação.

Um sapato adequado propicia maior equilíbrio e ajuda a transpor obstáculos com  maior facilidade. O pó de magnésio pode ser usado nas mãos para evitar eventuais escorregões.

A parede pode ser utilizada para treino, permitindo diferentes tipos de explorações, em caminhos cujo níveis de dificuldades são definidos por cores, facilitando a orientação espacial, ou pode ser utilizada para diferentes tipos de competições, em que se almeja atingir o topo, com o caminho já pré-estabelecido, algumas vezes.

Agora, como processei a informação, com base na minha analogia. À priori, de maneira mais pessimista, visto a manutenção do conservadorismo e tradicionalismo em determinadas instituições:

A escola, quando má intencionada e misturada aos interesses econômicos e políticos, reproduz, descontextualizadamente, em um restrito ambiente, uma monocultura, voltada ao treinamento de pessoas para os empregos que julga ser importantes na manutenção da nossa sociedade, sem considerar a motivação do indivíduo que o exercerá. Acaba, assim, por atrair o interesse de pessoas e empresas beneficiadas por essa homogeneização.

Sua estrutura consiste, primordialmente, em salas, onde os alunos, em cadeiras enfileiradas, simulam a hierarquização existente no externo. As informações são as agarras desse microssistema, que são despejadas, estrategicamente, de maneira limitada e unilateral, pois do contrário possibilitariam questionamentos que levariam a criação de inovadores caminhos. À frente da turma, apresenta-se um professor munido de giz e de conceitos, ligado por fios de marionetes a seus superiores, que, para garantirem a própria segurança, impõem, aos mesmos, uma meta a ser atingida, punindo desvios, sob o falso pretexto de que, seguir o estipulado, trará mais garantia de emancipação e autonomia a todos os envolvidos nesse processo de ensino-aprendizagem, como gostam de chamar.

O uniforme é o vestuário mais eficaz no sentido de restringir a individualidade e, em trazer para o concreto, essa nada oculta intenção, evitando escorregões, como a criação de um estilo próprio de se vestir e, consequentemente, de se pensar.

A competição é estimulada e usada com as máscaras da superação e do mérito, o que, aliás, é uma ótima sacada. Por estarem tanto tempo imersos nesse tipo de educação, os alunos até acham que estão conquistando algo, o que faz valer a pena a disputa, mas não percebem que todos os caminhos já foram pré-estabelecidos, inclusive os desviantes.

Agora uma posição um pouco mais otimista para encerrar:

Apesar da educação restringir-se a um espaço delimitado e seguro, busca-se trazer para dentro dele, uma vivência multicultural, a partir da significação do contexto de cada indivíduo presente, como fator motivador e como meio de agregar diferenças. Por essa ação, um tanto quanto inusitada, tal escola tem atraído os olhares de pessoas que compartilham de suas ideias ou somente de quem quer se manter perto, pois vislumbra perigos.

Organiza-se de maneira menos rígida, porém ainda estruturada. Disponibiliza muitas agarras de conhecimentos construídas coletivamente, pois perceberam que, quanto mais possibilidades existirem, maiores serão as chances de realização de travessias, sem repetições de caminhos exaustivamente explorados. A criatividade e individualidade podem vir a romper com os modelos antigos e isso não assusta, pelo contrário, é comemorado. O educador cria uma conexão com cada aluno, oferecendo um ambiente seguro e adequado para que, assim, se dediquem às descobertas. O elo construído entre todos, baseia-se na empatia, na confiança e na paciência para respeitar o ritmo alheio. Os limites e regras não são pré-estabelecidos – são criados conforme a escalada exploratória e se desmancham, felizmente, frente à inutilidade.

O uniforme não é necessário, porém pode, em algum momento de escorregão, vir a ser requisitado, então melhor mantê-lo ao alcance. Sabe como é, né?! O caminho ainda é novo, pouco iluminado, difícil não lançar mão de alguns modos antigos, nos momentos de medo e de dúvida.

O hábito da competição é trazido de casa pelos alunos, que, tampouco, se acostumaram ao desconhecido, mas não é rejeitado. Porém é permitido a quem não quiser atingir o topo, experimentar novas oportunidades, mesmo que seja com a orientação das cores que rotulam os caminhos em níveis (fácil, médio e difícil).

As duas escolas são fictícias. Na realidade, no dia-a-dia, nas instituições, as descrições de uma e de outra se misturam. Nenhuma é ideal, pois não se sabe o que é ideal e aonde isso tudo irá parar. Como será futuramente? Não sei, não sei!

Quem sabe me conta!

Abraços e até a próxima!

 

Para continuar acompanhando as postagens, curta a página do “Brincando por aí” no Facebook. Para conhecer um pouco mais o meu trabalho, acesse o site www.brincandoporai.com.br

 

 

 

3 Comentários

  • Olá Bruna!

    Comecei a ler o seu texto e fiquei surpreendida com a analogia feita, pensei que ia noutra direcção! 🙂

    A minha leitura, com base na descrição da parede de escalada, é que a educação – dos pais e não professores/escola – deve proporcionar um ambiente seguro para se praticar o que será a vida adulta. Um ambiente controlado e seguro, que ensina a dar os passos de forma segura e confiante.

    Os filhos começam baixinho, próximos de nós, vão subindo pouco a pouco, mas em cada queda ou passo em falso contam com os pais que amparam, encorajam e seguram. A educação, ao contrário do que ingenuamente pensamos (a fase do bebé é que é difícil e depois tudo simplifica – ahahahahahah), vai ganhando contornos sempre mais complexos, que correspondem a uma subida mais alta. Os pais devem fornecer todas as medidas de segurança – cordas, boas sapatilhas, pó para a mão e bálsamo para curar as bolhas dos pés – para uma subida em direcção à autonomia, num caminho trilhado por eles (apesar de querermos facilitar a vida e mostrar que certa cor é melhor e mais segura…). Ah, e sempre a encorajar!
    😉
    abraço deste lado do Atlântico!

  • Pingback:Coisas giras | mãegazine

Conta para mim!

Topo