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Quem tem medo de birra?

Era uma vez uma rainha que, em um belo dia de sol, resolveu levar seu pequeno príncipe para um passeio na Floresta Encantada dos Sonhos. Tudo corria muito bem – uma tarde agradável de piquenique e brincadeiras; até  que a bola mágica do menino resolveu mergulhar no imenso lago sem fundo e lá ficou no aguardo de resgate. Prontamente, a rainha tentou resolver o impasse, mas não obteve sucesso. Foi informada pelo guardião fluvial que, o sapo responsável pelo departamento de objetos perdidos no lago, estava de férias e não havia ninguém em seu lugar. Após preencher dez protocolos mágicos e antes mesmo de informar ao menino que pegariam a bola somente no mês seguinte, um grito ensurdecedor cortou o ar e derrubou três fadas que voavam por perto.

“Eu quero agoraaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!”

Não demorou muito para que um choro estridente preenchesse toda a floresta e atraísse a curiosidade dos seres:

– Uma elfa alcoviteira lamentou a má sorte do rei – ter se casado com uma mulher que não sabia educar crianças, pobrezinho;

– Um mago presenteou-lhes com uma generosa poção mágica de Ritalinas acalmatis;

– Um ogro resmungou algo sobre palmadas;

– Uma bruxa gargalhou da situação;

– Uma sereia jovem e formosa praguejou contra aqueles que estavam a estragar seu merecido descanso;

– Uma anciã formadora de opiniões rapidamente escreveu uma péssima avaliação sobre o lugar no Magicbook: “Já foi melhor frequentado!”;

– Um gnomo, amante da mística, reconheceu o sapo como culpado, afinal havia lhe avisado que em mês com alinhamento planetário seguido de eclipse lunar não se deve marcar viagem;

– E, por fim, um ermitão isolado há tanto tempo em sua caverna, não resistiu à euforia do momento e resolveu botar a cabeça pra fora só um pouquinho e lançar seu comentário: “Ah, se fosse filho meu…”

(continua)

Antes de dar continuidade, vamos pensar um pouco sobre a temida birra, ou seja, sobre uma situação insistente de contrariedade e teimosia, advinda de uma frustração mal elaborada.

É muito difícil para uma criança lidar com frustrações, principalmente quando está cansada, com fome ou não obtém a atenção afetiva do adulto. Além do mais, não conseguir algo que deseja ou ter que esperar para isso é demais para pouca maturidade. Visto isso, parece de fácil compreensão que, se alguém cuida de alguma criança, em algum momento terá que enfrentar a birra. Mas, na vida real (e nos contos de fadas rs) não é bem assim que acontece. Muitos não enxergam com bons olhos a situação; logo, mais um problema a administrar. Ter que lidar com uma situação estressante, quando também se está cansado, vigiado por atentos olhares inquisidores e opiniões divergentes e incoerentes não é nada agradável. Tudo o que mais se deseja é acabar logo com tal espetáculo. A melhor ajuda é a compreensão alheia e o não julgamento. Assim, fica mais fácil tratar desse esperado comportamento infantil da maneira mais leve possível. O grito e o choro insistente são vistos pelas crianças como meios mais fáceis e rápidos de atingirem seus objetivos, e, muitas vezes, são bem sucedidas. Melhor dar logo o que querem ou realizar uma barganha qualquer para resolver a questão. Acontece que não resolve, pois da próxima vez o episódio será pior. Nem preciso comentar que gritar mais alto que a criança é desgaste desnecessário de energia, preciso? E também não preciso comentar que bater resolve pelo pior caminho que é o medo. Não, né?! Ótimo! O melhor a se fazer é respirar fundo, não voltar atrás sobre o acordado, levar a criança para um lugar mais calmo e esperar a frustração ir embora, mostrando-se presente e empático, apesar de firme. Aviso: pode ser que demore e não há nada de errado com isso. Um belo teste da paciência, não?! A boa notícia é que, ao assumir essa postura, tais episódios tendem a diminuir. Ufa! Vale a tentativa! Não hesite em buscar uma ajuda, caso veja necessidade. Uma conversa com um bom profissional conseguirá levantar e elucidar as demandas emocionais que ainda precisam ser trabalhadas na família. Um bom auxílio para situações que exigem demais de ambas as partes.

Ah! O final da história…

A rainha, tão bem resolvida que era, sabia que palpites que fazem os olhos virarem para cima com um leve tremor e fazem fugir da boca algo como “Affffff”, a invocação de um santo ou mesmo um palavrão não merecem nosso investimento. Então, após comunicar que estava tudo sob controle, proferiu a seguinte frase: “Pelo poder a mim instituído….” e foi interrompida por um fauno filosófo, questionador do poder e da realeza. No entanto, ela não se abalou, respirou profundamente, pediu para não ser interrompida e se pôs a falar novamente: “Pela maternidade a mim instituída, ordeno que me poupem de seus palpites e, ao toque de três palmas seguidas das palavras “dispersa geral”, cada um irá cuidar da sua própria vida e me deixará em paz!” E assim foi! Sem o apoio da platéia, o príncipe, aos poucos, conseguiu se acalmar. Após dobrarem a segunda árvore sentido ao reino, o menino já havia esquecido a bola e todo o ocorrido, enquanto, feliz, planejava a próxima brincadeira.

E fim.

 

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Beijos e até a próxima!

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