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Quando o choro é necessário

Chorar é diminuir a profundidade da dor.” William Shakespeare.

O choro para o bebê é de extrema importância! É por meio dele que se inicia o processo de comunicação com o seu entorno. Um cuidador bem atento sabe distinguir um choro de fome, de um choro de cansaço ou mesmo de dor. O problema é que nem sempre o choro é bem visto pela nossa sociedade. Queremos ser felizes a todo o custo e calamos as nossas emoções e buscamos calar, também, as emoções de quem amamos.

A cólica do recém-nascido, devido a um trato digestivo ainda imaturo, calamos com remédios; o choro de necessidade de colo, atenção ou outro motivo afim, calamos com a chupeta e, assim, prosseguimos ao longo dos anos. Aparelhos eletrônicos, doces, salgadinhos chegam a ser usados como formas de distração e entretenimento da criança entediada, irritada e que sinaliza, a seu modo, o desejo do olhar e do cuidado do outro.

Um choro de frustração e birra, em ambiente público, atrai olhares inquisidores, opiniões desnecessárias e comentários maldosos do tipo: “Se fosse meu filho…”

Poucos são os que oferecem ajuda ou olham para tal comportamento de uma maneira empática e, pasmem, natural, porque assim o é. Quem está com a criança precisa ser muito forte para não cair na tentação de acabar com  aquela situação de qualquer maneira, o que só aumentará ainda mais o conflito.

Repetimos, sem pestanejar, frases que, de tanto escutarmos, tomamos como verdadeiras. Um tombo, a criança chora e  soltamos um “não foi nada”, “antes de casar sara”; uma bronca, os olhinhos lacrimejam, soltamos um irritado “prende o choro ou senão…”; discutiu com um amigo, a tristeza ameaça provocar enchentes, soltamos aos risos “pare de choramingar por bobagem”, sentiu medo, as lágrimas surgem descontroladas, cobramos, especialmente do menino, um comportamento mais corajoso e lembramos que “menino não chora” e que se assim o fizer parecerá um “maricas”.

Precisamos de um pouco mais de sensibilidade e raciocínio para entendermos que a criança ainda está desenvolvendo suas emoções e que não tem maturidade o suficiente para explicar com exatidão o que se passa com ela, pois muitas vezes, ela realmente não sabe. Choros e atitudes sinalizam que existe algo a mais escondido por detrás dos comportamentos apresentados. Punições, castigos e palmadas, podem reforçar, negativamente, aquele sentimento mal interpretado e momentaneamente resolver a situação, mas, na verdade, o que foi feito se assemelha a esconder a sujeira embaixo do tapete; uma hora ela aparecerá novamente, pois não foi eliminada.

Devemos olhar além, com paciência e muita compreensão, para descobrirmos qual a causa e validarmos a emoção emergente. Podemos oferecer nosso colo, nosso olhar e esperar passar; apenas a tranquilidade e a ação bem pensada é que são capazes de cessar uma situação estressante, bem como a água apaga o incêndio e não o acréscimo de combustível.

Se esperarmos ao lado da criança com empatia e presença, o conflito passará mais rápido e, na maioria das vezes, a situação terminará com o colo de alguém que ela pode confiar, pois sabe que a ama muito. Vínculo delicioso de se estabelecer, não é mesmo?!

Vou lhes contar duas situações que aconteceram comigo.

A primeira quando estava colocando minha filha menor para dormir. Como já tinha passado bastante do horário de costume, ela estava muito irritada e chorava bem alto. Nem meu colo resolvia. Tentei tudo o que podia: cantar, amamentar, conversar e nada! Até que chegou um momento em que a irritação tomou conta de mim e eu disse bem ríspida: “Chega! Não sei mais o que fazer! Se é para ficar chorando vou lhe deixar na caminha, então!”

Minha filha mais velha que acompanhava tudo bem de perto e não conseguia dormir, disse de um jeito bem doce, com a sabedoria que só as crianças têm: “Mãe, deixa ela chorar! Ela precisa! Imagina ela dormir com isso tudo dentro dela?”

Foi então que eu relaxei e esperei ela se acalmar, no meu colo, sem tentar nada, apenas fazendo carinho em seus cabelos. Em minutos, ela estava bastante relaxada, a ponto de dormir bem aconchegada em meus braços. Quem chorou dessa vez fui eu!

A outra situação foi quando vi esse desenho que minha filha mais velha fez:

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Trata-se de uma menina em um barco em meio a uma tempestade, chorando.

Ninguém precisa ser ‘expert’ em interpretação de desenhos para entender que algum conflito estava acontecendo.

Eu sabia que naquela semana ela havia vivenciado uma frustração muito grande e, com certeza, ainda não havia elaborado como devia todas as emoções que surgiram.

Perguntei a ela se teria como eu ajudar a menina. Ela me trouxe duas sábias alternativas: “Você pode assoprar pra longe as nuvens que ainda não choveram, mas as que já estão chovendo não tem jeito – precisa esperar parar sozinha!”

Foi o que fiz e o que tenho feito ultimamente!

Quando percebo que a previsão é de tempestade em copo d’água, dou um jeitinho de assoprá-la pra bem longe, mas se vejo que não, que é mais sério do que presumia, acolho a tempestade, pacientemente, mesmo correndo o risco de me machucar com os raios e de ensurdecer com o barulho dos trovões. No máximo ofereço-me de guarda-chuva!

Como é bom o calor do sol depois que tudo passa e passa mesmo, pois foi resolvido e não calado!

E como é bom aprender com as crianças….como é bom!

 

Curta a página do “Brincando por aí” no facebook e acesse o site www.brincandoporai.com.br para conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho!

Beijos e até a próxima!

 

2 Comentários

  • O desenho da sua filha me lembrou uma carta do tarot que fala de conflitos (mas claro, que não lembro a carta ¬¬ rsrs)

    Por aqui, o choro é uma coisa muito importante. Eu ‘desaprendi’ a chorar cedo e conforme crescia, percebi a falta que me fazia. Quando meu filho começou a se machucar e a chorar, percebi que deixar ele chorar fazia com que a dor fosse embora mais rápido, a frase que usamos aqui é o “chora que passa”!
    Conforme as emoções foram ficando mais complexas, o choro foi ficando mais forte e mais difícil de lidar, vi que eu mesma precisava me reconciliar com meu choro. E conforme eu fazia essa reconciliação, ia sentindo a leveza “pós choro”… as emoções fluem nas lágrimas, né? rsrs… foi ficando mais fácil acolher o dele (quando tô bem!)

    Ainda me pego, na hora da raiva e da briga, dizendo coisas como “pára de chorar! chega de choro!” – ai o guri responde, chorando mais: “mas você disse que a gente não pode parar o choro dos outros, que tem que respeitar e deixar chorar!” hasahuhaus… seguimos tentando respeitar e acolher!

Conta para mim!

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