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Qual a melhor idade para a criança começar a praticar esportes?

Os Jogos Olímpicos acabaram, mas, com certeza, despertaram em muitas pessoas a vontade de iniciar algum esporte. As diversas modalidades, a emoção dos atletas, as histórias de superação e empenho são fatores motivacionais muito relevantes. As crianças, sempre bastante conectadas a tudo, devem ter acompanhado e demonstrado interesse também, porém, quando o assunto é infância, qual é a melhor idade para começar?

Antes da elaboração de qualquer resposta, algumas considerações são válidas.

Dos zero aos sete anos de idade é fundamental que a criança tenha a liberdade total de movimentos, uma vez que está em ênfase o desenvolvimento físico-emocional (regiões mais baixas do cérebro, que darão suporte ao aprimoramento de uma região superior, mais complexa – o córtex, responsável pela cognição).

Durante esse período, há a necessidade intrínseca e, portanto, a busca espontânea por diferentes experiências lúdicas que proporcionarão inúmeras e importantes conquistas aos pequenos, tais como: esquema corporal, equilíbrio, concentração, ritmo, coordenação, segurança, entre outras, que garantirão um desempenho adequado das habilidades sociais e escolares.

Vivências inadequadas que desrespeitam o ritmo natural do desenvolvimento e antecipam conquistas, deixarão um buraco a ser preenchido e, consequentemente, trarão prejuízos futuros.

Vale lembrar que, na primeira infância, é o impulso volitivo quem comanda as ações, por isso existe a dificuldade em perseverar na inatividade e em tarefas complexas ou mesmo em compreender o porquê de castigos e as necessidades alheias.

Ao adulto cabe conduzir tranquilamente esse impulso, permitindo o livre expressar, agindo como um modelo coerente a ser seguido, já que a aprendizagem, nesse momento, ocorre, principalmente, pela imitação.

Logo, qualquer atividade que exija o conhecimento de regras e uma determinada performance, ainda não é bem-vinda, pois são tarefas desempenhadas por uma região que ainda está em formação. Sem esquecer que, com o desenvolvimento emocional a todo vapor, as frustrações por mal desempenho, devido a imaturidade neuropsicomotora, poderão ser registradas pelo sistema límbico (região das emoções), como uma incapacidade.

Com o amadurecimento cortical, a volição perde esse nível de importância e passa a ser mais controlada. Idade em que as regras já conseguem ser assimiladas, o que ocorre próximo ao período da alfabetização.

Constata-se, então, que o brincar não-dirigido ainda é mais importante!

Isso quer dizer que os esportes não são permitidos?

Calma! Não é bem assim. As informações existem para que boas escolhas possam ser realizadas.

O interesse, primeiramente, deve partir da própria criança e não de qualquer outra pessoa. Antes dos sete anos, qualquer esporte não deve exigir um desempenho performático, e sim, permitir vivências lúdicas que não choquem com as necessidades dessa importante fase, por isso, escolha um profissional que, além da modalidade, saiba muito bem disso.

Segue um exemplo para ilustrar.

Uma vez perguntei a um professor de esgrima a partir de qual idade a criança poderia começar a praticar aquele esporte, e ele me respondeu que seria enganação permitir que crianças muito pequenas fizessem suas aulas, pois elas não conseguiriam se concentrar e passariam a maior parte do tempo brincando. A idade que ele começaria a ensinar alguma coisa, seria a partir dos sete anos e com prioridade do lúdico (palavras dele).

Ou seja, o profissional bem preparado sabe disso; a própria criança lhe traz esse conhecimento, pela prática em si, então ele adaptará as suas aulas para que ela possa aprender brincando.

Cuidado ainda com algumas armadilhas. Muitas crianças são encaminhadas para determinados esportes por profissionais de saúde, sem uma avaliação aprofundada das demandas apresentadas, apenas com o intuito de adquirirem maior disciplina, concentração e, pasmem, gastarem energia! O brincar por si só já proporcionaria isso e mais um pouco, porém nem sempre as necessidades infantis são tratadas com o enfoque que realmente merecem.

O mesmo acontece com a Yoga voltada a esse público, que apesar de não ser um esporte, tem sido amplamente difundida como prática nas escolas e em outros ambientes.

O Professor Hermógenes, que foi o pioneiro em Medicina Holística no Brasil, referiu em seu livro “Autoperfeição com Hatha Yoga” que é preciso ter um cuidado todo especial com o processo de maturação orgânica, psicológica, energética e espiritual das crianças e que, preocupado com isso, chegou a desestimular essa prática e ainda alertou: “Para evitar possíveis riscos, melhor é soltar as crianças para brincar. Correr, subir nas árvores, dar cambalhota…” Mais tarde concluiu que, as aulas de um professor competente (isso ele reforçou bastante), podem se transformar em uma divertida brincadeira de Yoga e potencializar as habilidades em desenvolvimento.

Detalhes que fazem a diferença!

Espero ter clareado um pouco a questão e, para quem já está deprimido, pois os Jogos olímpicos chegaram ao fim, não se esqueçam dos Jogos Paralímpicos que iniciam no dia 7 de setembro!!! Vale a pena prestigiar!

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