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Por que os bebês não devem ser separados de suas mães no momento do nascimento?

A maioria dos bebês que nascem nas maternidades, seja por meio de cesárea ou mesmo por parto normal, passa, basicamente, pela seguinte maratona de procedimentos, até chegar aos braços de suas mães: clampeamento do cordão umbilical; aspiração de vias aéreas superiores; aplicação do colírio de nitrato de prata; limpeza e envolvimento em um tecido esterilizado, para manter a temperatura adequada; verificação do peso e de outras medidas; avaliação do APGAR, para conferir o estado geral e a vitalidade; recebimento da pulseira de identificação e…ufa, finalmente, mamãe!

Apesar de todos esses procedimentos serem questionáveis, em termos de momento de realização e reais necessidades de aplicabilidade, não é esse o ponto ao que quero chegar hoje. Daria muito pano pra manga esse assunto, mas a intenção deste post é fazer refletir sobre a seguinte questão: Não colocar o bebê em contato com a mãe, logo ao nascer, pode prejudicar essa relação que se inicia extra-útero?

Segundo alguns especialistas, sim, pode prejudicar e muito!

Isso tudo por causa do bonding – relação que se estabelece, desde os primeiros contatos, entre a mãe e bebê. Posso até prever que alguns acharão isso tudo uma informação descabida, pois afinal a mãe terá todo o tempo do mundo para estar com seu filho, a partir daquele momento. Que prejuízos poderiam acarretar alguns minutinhos de separação?

Acontece que, a enxurrada de hormônios que encharca a mulher e a alimenta de instinto maternal, ocorre logo após o nascimento do bebê, e não colocá-lo em contato com sua mãe, rapidamente, nesse precioso momento, significa perder uma oportunidade e tanto. Literalmente ocorre uma paixão à primeira vista, que continuará sendo alimentada ao longo dos dias, semanas e meses seguintes, graças ao vínculo afetivo que estará se formando, por meio da intimidade conquistada.

Como agravante, nas maternidades, após conhecer a sua mãe, o bebê é levado ao berçário, para mais procedimentos. Ambos chegam a ficar horas separados, o que eu acho uma pena!

Segundo Alice Miller, o bonding, transmite a ambos o sentimento de se pertencerem mutuamente, de união e dá à criança aconchego e segurança necessários para confiar na mãe. Além disso, transmite à mãe uma segurança instintiva que a ajuda a entender e responder aos sinais do bebê. Esta primeira confiança mútua, nunca mais poderá ser revivida, e sua ausência, pode, a priori, impossibilitar muitas coisas em seu processo de desenvolvimento.

Claro que o tempo perdido poderá ser recuperado, mas seria bem melhor que não deixássemos escorrer pelo ralo momentos tão importantes, por falta de informação ou por insistência da manutenção de procedimentos tão rígidos e, muitas vezes, ultrapassados.

Cabe ressaltar que, o conceito de bonding e o desenvolvimento infantil foram aqui abordados, tomando como base uma mulher emocionalmente saudável, que, ao olhar para seu filho não projeta nele suas expectativas, seus medos, suas frustrações. Se essa projeção acontece, a criança não encontrará a si mesma na face da mãe, mas, sim, a necessidade que dela advém.

O bonding – o contato visual e de pele inicial –  pode, inclusive, auxiliar essa mulher que está fragilizada, a encontrar força e afeto para suprir a demanda dos primeiros cuidados do bebê. Para avaliar a qualidade do envolvimento emocional entre a mãe e o recém-nascido, quando se fizer necessário, existe a Escala Bonding que, quando aplicada por profissionais habilitados, pode servir como um guia para auxiliar a formação de um vínculo familiar saudável.

Apesar da sua importância, não ouvimos falar muito sobre o bonding, principalmente aqui no Brasil, pois seu reconhecimento científico ainda é muito recente, apesar de diversos autores abordarem, de certa forma, o tema em seus livros e estudos (Leboyer, Alice Miller, Winnicot, Michel Odent, Desmond Morris…)

Se pararmos para pensar, o bebê ir direto para o colo da mãe, ao nascer, é o que naturalmente e instintivamente aconteceria se não houvesse interferências. Por que insistimos em barrar fluxos tão naturais e igualmente importantes? Por que insistimos em complicar algo que poderia ser tão simples? Não sei, não sei…Fica a reflexão!

Curta a página do “Brincando por aí” no facebook e acesse o site www.brincandoporai.com.br para conhecer um pouco mais sobre meu trabalho.

 

 

 

 

 

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