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O desenvolvimento do desenho no primeiro setênio – Parte III

Nos posts anteriores, referentes ao tema, foi feita uma necessária introdução sobre o desenvolvimento inicial do desenho, para que, finalmente, eu pudesse abordar os principais aspectos no desenrolar do primeiro setênio.

No intuito de melhor didática, trabalharei, em tópicos, as importantes referências dessas fases (3 a 5 anos e 5 a 7 anos), mostrando, de maneira gradativa, a evolução das representações na primeira infância.

– A representação da figura humana: 

O desenho da figura humana é de extrema importância, pois dele resultarão as representações de outros temas, tais como a árvore, a casa, animais e meios de transportes.

É de fácil compreensão o porquê desse ser o primeiro motivo a surgir, uma vez que a criança transpõe para o papel suas vivências e transformações internas, ou seja, o que lhe atribui identidade e o que lhe permite sentir e interagir com o alheio que, de certa forma, a afeta.

O livre desenhar, permite a organização de sensações que ainda não podem ser nomeadas, pela imaturidade das fases, mas que são muito significativas, pois estão a moldar a criança.

Como no desenvolvimento infantil, que ocorre no sentido de cima para baixo (da cabeça aos pés) e das regiões proximais para as mais distais, da mesma forma, testemunhamos o surgimento da figura humana no papel.

O desenho do círculo fechado, por volta dos três anos, que representa a consolidação da última sutura do crânio e a descoberta do Eu, logo, passa a contar com uma estrutura vertical muito parecida com um tronco, que podemos identificar como a percepção, inconsciente, da coluna vertebral. Essa estrutura, que faz parte do aprimoramento do desenho da cruz, ganha um eixo mais certeiro, e passa a ser denominada, por alguns autores, de “homem-árvore”.

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“Homem-árvore” – desenho de uma menina de 3 anos e 2 meses

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“Homem-árvore” – desenho de uma menina de 3 anos e 6 meses

 

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“Homem-árvore” – desenho de uma menina de 4 anos

 

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“Homem-árvore” – desenho de um menino de 3 anos e 10 meses

O círculo ganha olhos, boca e nariz e, então, é promovido a rosto, o qual permanecerá de frente até, mais ou menos, por volta dos 5 anos, quando poderá assumir a posição de perfil, o que ficará evidente pela posição do nariz, já que os dois olhos e a boca, estarão por inteiro no lado representado. Com o passar do tempo (5 a 7 anos), notaremos a preocupação em colocar as duas orelhas e acessórios como brincos, que começarão, juntamente a vestimenta e ao penteado, diferenciar a figura por gênero.

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O rosto toma forma – desenho de uma menina de 3 anos e 4 meses

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Representação de uma base para os pés e traços paras os braços – desenho de uma menina de 4 anos

O tronco também passa por lapidações significativas. Na transição dos três para os quatro anos, aproximadamente, enovelados podem surgir ao redor do eixo vertical, como símbolo da percepção, ainda inconsciente, do sistema rítmico (desenvolvimento dos órgãos internos como coração e pulmões) e do fluxo dos líquidos em nosso corpo, incluindo o da coluna vertebral. Outra possibilidade, que podemos observar, ainda nessa fase, é a mudança no eixo de simetria, que se tornará transversal, o que trará para orientação vertical, uma ancoragem estática, assumindo forma parecida a uma escada ou grades, que simbolizam nosso esqueleto e assumem denotação de proteção. É comum, quando surge esse tipo de desenho, a criança passar por um processo conhecido como “medo fisiológico”. Ela, que antes se mostrava segura, assumindo riscos nos brinquedos do parque, dormindo separada dos pais e no escuro, começa a ter uma compreensão maior e mais realista dos fatos do dia-a-dia, pois já está mais distanciada do mundo, com isso, passa a solicitar, com maior frequência,  o adulto para protegê-la e para retirar de seu caminho possíveis agentes causadores de pânico. Trata-se de uma elaboração interna, que sumirá da mesma maneira que surgiu, se os cuidadores validarem esse sentimento e se assumirem como fontes de amparo.

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A espiral em torno de um eixo – percepção do sistema rítmico: desenho de uma menina de 4 anos e 6 meses

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Representações do “homem-árvore” e do sistema rítmico – desenho de uma menina de 4 anos

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Tórax em formato de escada – desenho de um menino de 4 anos e 8 meses

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Tronco em formato de escada – desenho de uma menina de 3 anos e 10 meses

À partir dos 4 anos, a variedade das expressões infantis despontam, e novas imagens da figura humana ganham formas no papel. São os “cefalópodes” – cabeças com vários membros que se assemelham a sóis. Os raios que circundam a cabeça, representam os órgãos do sentido que estão abertos ao entorno, como uma antena que captura todos os estímulos ao redor. Por isso é importante que o ambiente ofereça estímulos de maneira atrativa, saudável e equilibrada.

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“Cefalópodes” – desenho de uma menina de 3 anos e 11 meses

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“Cefalópode” – desenho de um menino de 4 anos

Ao tronco, morada da concentração da criança por um período expressivo, agregam-se os membros. Os braços são representados com maior mobilidade desde o início. Muitas vezes são desenhados enormes, como extensão dos órgãos dos sentidos, agindo no mundo circundante. Os dedos são pequenos desmembramentos dessa mesma função. São inúmeros ou quase sempre em quantidade incorreta  e até mais ou mesmo os 6 ou 7 anos, darão o ar da graça dessa maneira. Só aparecerão em quantidade exata se o adulto assim o impor, mas, pela descoberta da criança, não.

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Membros longos, sugerindo mobilidade e uma das primeiras representações dos dedos – desenho de uma menina de 4 anos e 3 meses

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Dedos e cílios, mostrando a abertura aos estímulos externos – desenho de uma menina de 4 anos e 6 meses

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Braços proporcionalmente maiores que as pernas – desenho de uma menina de 5 anos

Acessórios como pulseiras, luvas, entre outros, costumam aparecer desde os 5 anos, quando a maturação da região metabólica motora permite ajustes de coordenação e força. Não é raro as crianças passarem a desenhar em um espaço mais limitado e com maior força de preensão. Também é a fase em que se mostra mais inquieta, motoramente, por conta da apropriação dos membros, no entanto, é quando mais lhe exigem dominar seus movimentos (sentar para realizar alguma atividade, ler, escrever). Triste, pois deveriam estar testando as novas habilidades conquistadas.

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Luvas com as mãos muito semelhantes aos “cefalópodes” – desenho de uma menina de 5 anos

Os pés são sempre os últimos a ganharem maiores detalhes, visto que o movimento não é muito estimulado nos lares e nas escolas, atrasando a conscientização dessa base, que, somente próximo dos 6, 7 anos ganham sapatos ou formas parecidas, mas dificilmente ganham dedos.

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Os pés representados por sapatos – desenho de uma menina de 5 anos e 7 meses

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Detalhes cada vez mais presentes como pulseiras, chapéu, laços e esmalte. Dedos em quantidade incorreta e membros inferiores visivelmente menores que os superiores – desenho de uma menina de 6 anos

Com o amadurecimento do Sistema Nervoso Autônomo, os “cefalópodes” ganham novas roupagens e, os raios anteriormente representados para fora, passam a adentrar a esfera, simbolizando a percepção do plexo solar e ganhando a representação de umbigo, no tronco.

Ficamos por aqui hoje! Muita informação cansa! Rs

No último post sobre o assunto, falarei sobre a representação da casa e farei outras considerações importantes. Também indicarei alguns livros.

Espero que estejam gostando!

Para maior compreensão desse post, sugiro a leitura, no blog, dos artigos anteriores: “Como o brincar influencia na preensão do lápis”,  “O desenvolvimento do desenho no primeiro setênio – Parte I” e “O desenvolvimento do desenho no primeiro setênio – Parte II”

Até breve!

Para continuar acompanhando as postagens, curta a página do “Brincando por aí” no facebook e acesse o site http://brincandoporai.com.br para conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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