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O desenvolvimento do desenho no primeiro setênio – Parte II

No post anterior sobre o tema, conversamos um pouco sobre os primeiros traçados – a garatuja, com ênfase no tipo desordenado. Nesse post, continuaremos a conversar sobre elas e faremos uma breve introdução a fase seguinte, que vai dos 3 aos 5 anos. Não esqueçam que, a especificidade das fases, servem apenas para nos guiar e para facilitar uma abordagem geral, portanto não devemos tomar como verdade absoluta. Para uma avaliação mais cuidadosa, ainda contam mais a individualidade, associada aos diferentes contextos aos quais a criança está inserida.

Vamos lá!

Depois de experimentar traços desordenados, com pouca coordenação motora e oscilações na força de preensão do giz, a criança (dos 2 aos 3 anos), enfim, descobre que há uma ligação entre os movimentos que utiliza para desenhar e o produto final impresso no papel (ou em qualquer outra superfície). Essa atitude marca o início de um aprimoramento do controle visomotor, ou seja, quando ela começa a coordenar os movimentos dos olhos com os movimentos da mão, a qual já manifesta, também, uma melhora da coordenação. Amplia-se o repertório de cores escolhidas e, na maioria das vezes, a criança já sabe nomeá-las, principalmente as cores primárias. O traçado apresenta-se mais forte e o papel agora é explorado de modo a aproveitar todo o espaço que tem a oferecer. Cabe ressaltar que, apesar desse avanço, ainda não há a intenção representativa. A criança nomeará o desenho, depois de pronto, de acordo com suas preferências.

Duas representações gráficas tornam-se mais frequentes: espirais e retas.

Em relação às retas, começaremos a notar uma predominância de traços verticais e horizontais, que, em alguns momentos, se encontrarão formando uma cruz. Isso não acontece por acaso. Toda mudança que ocorre durante o processo de amadurecimento neuropsicomotor da criança é sentida pela mesma e pode ser registrada em seus desenhos, se não interferirmos, é claro. A cruz, por exemplo, traz a informação de uma conquista de maior equilíbrio motor e, consequentemente, do aprimoramento do andar e da capacidade de sustentação. A criança encontra-se firmemente ereta, com as mãos e os braços livres para agir no mundo.

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A cruz (desenho de uma menina de 2a e 1/2)

Podemos com o desabrochar do desenho, descobrir, também, o início e o final de um possível salto de desenvolvimento (que abordaremos mais em um outro post).

Se o comportamento e os hábitos da criança indicarem uma regressão motora e emocional, ou se ocorrer uma febre sem motivo aparente (pode ser algum outro sintoma) e depois desse turbilhão todo, ela retornar ao período de relativa calmaria (melhora do sono, da alimentação, etc), mas com uma habilidade nova, provavelmente ela passou por algum desses saltos. O desenho nos traz essa percepção. Para exemplificar: se antes ela desenhava traços que não se encontravam e depois, em um curto período, ela passa a cruzá-los, houve um ganho que nos leva a crer que a criança em questão passou por esse, digamos, aprimoramento.

Já as espirais, em pouco tempo, evoluirão para a primeira forma que a criança aprenderá – o círculo, o qual somente será fechado por volta dos 3 anos.

espirais (desenho de uma menina de 2a e 11 meses)

espirais (desenho de uma menina de 2a e 11 meses)

Aí que acontece a magia. Retas e espirais, que já interagiam no desenho, vão cedendo lugar a interação de cruzes e círculos. Quando esses dois se juntam (círculo com uma cruz ou mesmo um ponto dentro) temos a representação do EU.

Para melhor entendimento: ao fechar o círculo, a criança mostra-nos que já não é mais totalmente una com o mundo como antes, ou seja, consegue separar-se um pouco dele e olha-lo a partir de si mesma. O ponto ou a cruz dentro dele refere-se a essa primeira percepção de si própria, como se ela estivesse falando, por meio dessa representação, a palavra EU.

Circulo com um círculo menor dentro (desenho de uma menina de 3a e 2m)

Circulo com um círculo menor dentro (desenho de uma menina de 3a e 2m)

Crianças que são incentivadas a pular etapas de desenvolvimento, provavelmente falarão a palavra EU antecipadamente, o que não quer dizer que conquistarão também a magia descrita acima. Seu desenho deixará isso bem nítido, mostrando que a conquista não foi por mérito próprio e nem ao mesmo registrada. Fica a reflexão: será que vale a pena tentarmos antecipar certas habilidades, então?

Daí em diante, dá-se início a fase da garatuja nomeada, caracterizada pelos traços melhores distribuídos no papel e com o aparecimento dos primeiros esquemas da forma humana. A criança anuncia o que irá fazer e descreve verbalmente seu desenho.

Muita informação nesse post, não é mesmo? Por isso continuaremos nossa abordagem em postagens futuras.

Espero que tenham gostado!

Para melhor aproveitamento, sugiro a leitura de 2 posts anteriores: “Como o brincar influencia na preensão do lápis” e “O desenvolvimento do desenho no primeiro setênio – Parte I”

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Abraços e até a próxima!

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