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Férias para brincar, não para estudar!

Depois de um semestre repleto de atividades escolares e um final de ano quase sempre muito tumultuado, por conta do período de comemorações, tudo que uma criança mais espera do mês de janeiro é sair um pouco da rotina pesada de atividades específicas e brincar muito! Só que nem sempre essa é a realidade.

Algumas escolas mantêm o triste hábito de enviar tarefas extras para determinados alunos fazerem durante as férias, e, ainda, incumbem os pais de cuidarem para que a solicitação seja cumprida. Quando não enviam tarefas, sugerem que a família, de alguma forma, invista na melhora da dificuldade detectada.

O objetivo, geralmente, é oferecer uma nova oportunidade para os alunos que apresentaram alguma dificuldade, para que possam voltar às aulas com melhor compreensão dos conteúdos trabalhados e com um certo aprimoramento das habilidades tidas como deficientes.

Necessidade de cumprir com o cronograma escolar, não querer ver o aluno atrasado em relação aos demais, desenvolvimento de responsabilidade, cobrança de superiores e a possibilidade de sentirem a família envolvida no processo de aprendizagem, costumam ser algumas justificativas utilizadas, pela coordenação e pelos professores, para endossarem a extensa lista de boas intenções e “embasadas” preocupações.

No entanto, todo esse desejo por resolutividade, acaba surtindo o efeito contrário.

Se a criança não conseguiu, ao longo do ano, atingir as metas a ela direcionadas (se é que realmente ela precisava), não será em um pouco mais de um mês que tudo se resolverá. Além do mais, um tempo para “descansar a cabeça” é importante para qualquer pessoa. Falta um pouco de empatia nessa história. Se após trabalharmos o ano inteiro, ao tirarmos nossas merecidas férias,  alguém nos falasse que nosso desempenho foi insuficiente e que, por isso, teríamos que levar trabalho extra para casa, além de rever conteúdos importantes da empresa, os quais não conseguimos captar muito bem, nos sentiríamos péssimos, não é mesmo? Então, por que fazer isso com as crianças?

Um pouco de reflexão sobre a prática profissional e sobre o desempenho ao longo do ano seria de grande valia. Não digo o relatório que o professor tem que entregar, para mostrar que cumpriu seu planejamento, mas, sim, uma avaliação honesta, real, com o piloto automático desligado. Uma avaliação para cada um fazer sozinho, não uma prestação de contas. Uma avaliação que inclua o quanto o profissional se apresentou disponível, internamente, com a intenção de desenvolver prioritárias e significativas estratégias para lidar com o que considerou desafiador; o quanto o ritmo de cada aluno foi respeitado; o quanto a individualidade e o contexto social foram vistos como importantes; o quanto de motivação e criatividade foram usadas para incrementar as aulas ministradas; o quanto as dificuldades de alguns, trouxeram a possibilidade de reinvenção da prática diária e, com isso, proporcionaram um maior crescimento pessoal e profissional; o quanto foi feito para emplacar mudanças de fatores estressantes referentes ao cargo, como pouca autonomia e cobranças, e, talvez, o mais importante, o quanto a pessoa se sente feliz e realizada na profissão escolhida. Independente da resposta desse último questionamento, ainda cabe refletir o quanto se acredita nos valores que a escola busca passar. Será que todos precisam seguir o mesmo ritmo? As avaliações são realmente necessárias? Tanta rigidez e padronização no ensino realmente auxiliarão na formação de pessoas bem-sucedidas? Se sim, em que sentido? Uma avaliação pessoal para sair do círculo vicioso de repetições e começar a incitar mudanças e não apenas continuar reproduzindo algo, sem ao menos questionar, pelo simples fato de que sempre foi assim ou porque foi uma ordem recebida.

Pode ser que, com essa avaliação mais justa, novas prioridades surjam, bem como a possibilidade de olhar para as dificuldades de uma outra maneira. Quem sabe até, deixar de lado comparações desonestas e prestar mais atenção nos pequenos, porém significativos avanços da criança que dispensa mais atenção. Descobrir o que a motiva e transformar algo indecifrável em algo mais atraente e prazeroso para ela. Permitir-se sair da posição de quem ensina para também aprender – atitude que trará ganhos a todos os envolvidos!

Falta, ainda, compreender que as conquistas motoras e as conquistas cognitivas mantêm uma relação de interdependência, e que muitas dificuldades sequer existiriam se fosse dada a criança a oportunidade de brincar e de desenvolver suas habilidades a seu tempo, sem pressões e direcionamentos.

Só com essa última informação, já seria possível perceber a não necessidade da realização de tarefas extras nas férias, além de possibilitar repensar muitas outras questões, como iniciar a alfabetização precocemente, por exemplo, e, ainda, passar a incentivar as crianças a brincarem mais. Brincar não no computador ou em frente a TV. Brincar de verdade – escalar, correr, pular, em contato com a natureza, se possível, e, assim, treinar, espontaneamente, importantes habilidades como equilíbrio, lateralidade, integração bilateral, orientação espacial, abstração, criatividade, entre outras, que muito agregarão a parte cognitiva. Pena que o brincar livre, muitas vezes, não é visto como importante! Há regras a serem seguidas, metas a serem alcançadas, padrões a serem preservados incessavelmente.

Por último, gostaria de falar um pouco sobre o envolvimento da família. Ao ser incumbida de “ensinar”o que o professor não conseguiu, uma carga de estresse passa a permear a relação no ambiente do lar, trazendo consequências que podem ser muito desastrosas. A família tem a sua função em relação a criança sim, mas é totalmente diferente da função do professor (com algumas ressalvas em relação ao Homeschoolling).

Das famílias por mim acompanhadas, as pessoas relataram nervosismo por se sentirem cobradas e transferiram esse sentimento para as crianças da pior maneira possível. Com medo de não darem conta da tarefa a elas destinadas, passaram a fazer uso de punições, chantagens emocionais, barganhas, entre outros. O resultado: crianças ainda mais desmotivadas, cansadas, inseguras e com a autoestima empobrecida. Além de não melhorarem o desempenho escolar, muitas expressavam o desejo de não mais frequentarem as escolas.

Acho importante a escola criar uma ponte com a comunidade e a família, mas não dessa maneira!

Claro que algumas vezes a cobrança parte da própria família e não da escola. Cabe a mesma reflexão. Cabe repensar valores e avaliar prioridades. O que se espera da escola? Qual crença sobre educação escolar mantemos em nossas vidas? Será que a enxergamos como aquela que irá propiciar um futuro de sucesso às nossas crianças? Em que sentido, com qual modelo?

Que tal aproveitarmos que o ano está apenas começando para nos abrirmos ao novo, às mudanças (nem que sejam as de paradigmas)? Que tal nos ocuparmos em sermos mais felizes e realizados em nosso dia-a-dia?

Enquanto isso deixemos as crianças brincarem, livremente, todos os dias!

Para acompanhar as postagens, curta a página do “Brincando por aí” no facebook e para conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho, acesse o site www.brincandoporai.com.br

Beijos e até a próxima!

 

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