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Como surgiram os Jardins de Infância

Nunca deixei que a escola interferisse na minha educação – Mark Twain

 

No último sábado de julho, tive o prazer de presenciar o encontro de Vik Muniz com Anna Maria Maiolino para o lançamento do catálogo “Histórias da Infância”, no MASP. Foram abordadas questões importantíssimas referentes à educação infantil e poucas pessoas tiveram o privilégio de participar. Por isso, gostaria de compartilhar com vocês, algumas elaborações que desenvolvi a partir dessa interessante conversa.

Os registros de infância e a reverberação dos mesmos, em momentos futuros, foram lembrados pela artista plástica convidada. Ela, apesar de ter consolidado seu trabalho no Brasil, reconhece, em algumas de suas obras, traços da curta permanência em sua terra natal – a Itália. O que essa informação nos traz de valioso é que são os primeiros anos, os responsáveis pelos registros de nossas memórias afetivas e, desse modo, eles ajudarão a selecionar e conduzirão as nossas vivências posteriores. Mesmo que a pessoa afirme lembrar muito pouco de suas primeiras experiências, são elas a mola propulsora das nossas ações e responsáveis pela formação da nossa personalidade em associação com a herança genética.

Vik Muniz complementa lindamente esse parecer, ao guiar-nos por uma reflexão acerca do olhar voltado à infância.

A educação infantil não tem se mostrado muito disposta a absorver as crianças tais como elas são. Pelo contrário, lançam àquele pequeno ser um vislumbre do adulto que se tornará e, então, utilizam métodos de ensino que atendam às demandas da sociedade, o que raramente vai de encontro aos anseios individuais e respeitam as potencialidades. Ouso ir um pouco além – não é à toa que a inclusão escolar ainda é uma ideia rejeitada por muitos e problematicamente conduzida em diversos locais. E também não é à toa que encontramos muitos adultos frustrados, atualmente.

Tudo começa na infância e é para ela que devemos voltar o nosso olhar, é para ela que devemos dar toda a importância possível. É o sucesso desse comecinho que determinará o sucesso na idade adulta.

Mas, como alcançar esse objetivo onde a “adultização” precoce reina soberana, amparada por um poderoso marketing e a utilidade da nossa existência é ditada por modelos políticos, sociais e educacionais?

Que tal resgatarmos um pouco da história da educação infantil, ou seja, como tudo começou? Buscar as motivações iniciais, apesar de épocas distintas, podem contemplar-nos com respostas de perguntas que nem mesmo ousaríamos fazer, tamanha aceitação do que nos é ditado e, nós, como gado de rebanho, aceitamos!

Serei breve, prometo!

Para quem não sabe, foi o pedagogo alemão Friedrich Froebel, que, 1837, criou o primeiro Kindergarten – jardim de infância. Era assim chamado pela analogia das crianças às plantinhas que deveriam ser carinhosamente cuidadas pelo jardineiro, no caso o professor.

O educador acreditava que, cada criança trazia consigo uma enorme capacidade de desenvolver tudo o que há de melhor no ser humano, desde que fossem respeitadas as particularidades de cada fase pela qual tendiam a passar. Cabia à Educação não permitir que esse potencial se perdesse, gerando promissores frutos. Como?

Para ele a educação ocorria espontaneamente. A criança deveria usufruir da liberdade do “aprender a aprender”, ou seja, ser livre para expressar suas emoções e perseguir seus interesses.

Ele sabia que na primeira infância a criança estava submersa por sensações e estímulos e que seu cérebro era muito ativo e, que quanto mais ela se entregasse às experiências de maneira natural, maior seria a receptividade e a assimilação de novos conhecimentos.

Tratava-se de um educar sem imposições que valorizava as atividades motoras em detrimento às atividades abstratas (livre brincar sem condução do adulto), pois somente assim haveria um desenvolvimento verdadeiro.

A família era vista como parceria essencial desse processo, bem como a natureza, a qual, segundo ele, poderia auxiliar a criança na compreensão de si mesma e dos outros.

Froebel foi o primeiro educador a inserir brinquedos na escola, pois entedia que a criança se valia de importantes símbolos em seus momentos lúdicos, que enriqueciam sua comunicação, por meio do exercício da imaginação e da criatividade.

Apesar da pedagogia de Froebel primar pela liberdade, ela valia-se de recursos construtivistas para tentar atingir seus objetivos, procurando respeitar as necessidades de cada fase.

Ele morreu antes mesmo de presenciar o seu “Jardim de Infância” se espalhar por toda a Europa e também para os Estados Unidos, incorporado aos preceitos do filósofo norte-americano, John Dewey, que defendia a democracia e a liberdade de pensamento como instrumentos para a manutenção emocional e intelectual das crianças.

Mesmo sem considerarmos outras questões associadas a esse relato, como, por exemplo, a mudança de paradigma em relação a infância ao longo da História, já conseguimos compreender o quanto tal conceito inicial foi desvirtuado em prol de demandas externas ao processo inicial de desenvolvimento, tão significativo para a formação do sujeito.

Que a educação pode transformar o mundo eu não duvido, mas dependendo do modo como é conduzida, pode transformar tanto para melhor quanto para pior.

A pré-escola é a base de toda a formação do indivíduo. Qualquer falha em sua estrutura pode fazer com que o restante todo desabe. Que o digam alguns estudiosos do assunto que chegam a afirmar que esse período é muito mais importante que a Universidade.

Cabe a nós, educadores (pais, professores, cuidadores…), propiciar aos pequenos uma experiência inicial ímpar. Claro que há inúmeros desafios – institucionais, sociais, econômicos, entre outros; mas isso não pode engessar a busca de ofertas mais promissoras.

No evento de sábado, Vik Muniz finalizou a conversa contando sobre a sua experiência na favela de Vidigal. Lá funcionará uma escolinha, idealizada por ele, para que crianças de 5 a 8 anos possam participar de atividades extracurriculares de alfabetização visual e tecnológica. Um grande laboratório onde a criança, que dificilmente teria acesso a essa tecnologia, será a protagonista de suas descobertas. Gostaria muito de conhecer.

Muitas pessoas já fazem a diferença e oferecem um olhar mais atento e acolhedor à infância. Fiquem à vontade para compartilhar aqui, no blog, a experiência de vocês!

 

Abraços e até a próxima!

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