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Como o brincar influencia na preensão do lápis

Antes de ser alfabetizada, a criança precisa desenvolver algumas habilidades que lhe possibilitarão conquistar a coordenação motora fina, que proporcionará a preensão adequada do lápis, o equilíbrio que sustentará a postura correta para se manter sentada e conseguir um bom desempenho da coordenação viso motora e da manutenção da atenção e da concentração, entre outros.

Parece complexo, no entanto, ela conquista isso tudo sozinha, se lhe permitirem o brincar livre. São as experiências sensoriais e motoras registradas que permitirão o bom desempenho cognitivo e facilitarão o processo de aprendizagem.

Sabemos, porém, que tais experiências estão cada vez mais escassas no repertório de atividades de nossas crianças. A alfabetização está ocorrendo cada vez mais cedo, forçando a maturação de estruturas que ainda não estavam preparadas. Mesmo as brincadeiras, têm sido substituídas por programas infantis e desenhos animados. Por mais educativos que aparentem ser, pouco oferecem de útil, pois para o nosso sistema nervoso realizar um registro de experiência, necessita uma vivência real (subir, correr, explorar um objeto com as mãos e sentir sua forma, sua textura, sentir diferentes temperaturas, criar funções para um brinquedo, entender conceitos brincando, por ex. “embaixo” ao passar sob algo, “em cima” ao escalar uma árvore, entre outros) e não a oferta virtual e bidimensional da TV e do computador.

Essas experiências do brincar sadio auxiliarão, inclusive, nos ganhos da orientação espacial e da lateralidade (dominância lateral), fundamentais para a escrita. Dificuldades com essas habilidades e com as demais citadas, poderão causar disfunções como: inversões de letras e espelhamento, escrita fora da linha, lateralidade indefinida, força exagerada na escrita e no desenho, entre outros.

Para quem não sabe, o desenvolvimento ocorre do proximal para o distal e da cabeça aos pés e sempre parte de uma motricidade grossa para uma habilidade mais fina. Então, antes de fazer a preensão do lápis, que exige coordenação motora fina, a criança precisa trabalhar as articulações anteriores (mais proximais) por meio de atividades que estimulem a coordenação motora grossa. Trabalhar o membro superior por completo (ombro, cotovelo, punho), antes de chegar às falanges dos dedos, em movimentos mais refinados como a pinça e a preensão.

Brincadeiras que desenvolvem essas articulações são: arremessar bolas, brinquedos que simulem o martelar, que dêem noção de profundidade, manuseio de objetos com as 2 mãos, massa de modelar e argila que trabalham a força, tonicidade muscular, etc.

Visto isso, deveríamos oferecer às crianças, materiais que atendam essas expectativas e contribuam para o desenvolvimento dessas habilidades.

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Giz de cera de abelha, muito utilizado em escolas Waldorf. Ótimo para a fase da preensão de transição.

Antes da preensão madura (tripé dinâmica, com o uso de 3 dedos e com o cotovelo apoiado na mesa), ocorrem a preensão primitiva (preensão palmar, ou seja segurando o lápis com a palma da mão e com a movimentação de todo o braço para realizar o traçado) e a preensão de transição (com 4 dedos e traçado realizado por movimentação de punho e dedos). Para essas fases, o melhor seria oferecer aos pequenos, apenas giz de cera e dos mais grossos para facilitar a pega.

Giz mais grosso. Muito bom para a fase da preensão primitiva.

Giz mais grosso. Muito bom para a fase da preensão primitiva.

A criança mostrará quando estiver madura para passar para o lápis, mas mesmo assim, opte por um lápis mais grosso, para uma transição tranqüila.

Como saber se ela está pulando etapas na escrita? Tem uma dica bacana e fácil de observar.

Se a criança estiver fazendo algo sem o preparo adequado, ela apresentará o que chamamos de reação associada, ou seja, enquanto estiver escrevendo, a outra mãozinha, provavelmente se fechará e irá para trás – aumento anormal de tônus em uma parte do corpo, como resultado de esforço de outra parte.

Também poderá apresentar sincinesias faciais como fazer caretas, morder a língua ou os lábios enquanto manuseia o lápis.

Para saber mais sobre isso ou encaminhar para a avaliação e tratamento, o mais indicado é buscar a ajuda de um profissional especializado como o terapeuta ocupacional.

Aproveitando o tema e as férias, seguem abaixo algumas dicas para os pequenos que ainda estão desfrutando das fases mais primitivas do traçado.

Verificaram em casa e perceberam que só têm gizes de cera dos mais finos, então que tal adaptá-los às mãozinhas das crianças?

Material: forminhas e gizes de cera finos  ou que estão quebrados.

Materiais: forminhas e gizes de cera finos ou que estão quebrados.

Eu utilizei uma forma de cupcakes, mas também poderia ter utilizado forminhas avulsas de diferentes formatos ou mesmo forminhas de fazer gelo.

Quebre o giz o menor que conseguir e distribua nas forminhas conforme seu objetivo.

Quebrem os gizes o menor que conseguirem para colocá-los nas forminhas conforme seus objetivos.

Distribuí nas forminhas, procurando seguir o critério de cores semelhantes, mas também fiz alguns coloridos a pedido da minha filha.

Quando fica pronto a carinha de felicidade da criança que irá brincar não tem preço!

Quando fica pronto a carinha de felicidade da criança que irá brincar não tem preço!

Deixei no forno até derreter, mas não muito para não perder o efeito colorido dos que misturei diversas cores.

Esperei esfriar e desenformei. Para acelerar o processo, a forma pode ser colocada alguns minutos no congelador.

Caso queiram fazer com forma de gelo, siga os mesmos passos, mas derreta no microondas, sempre tomando cuidado com o tempo. Para desenformar também, a mesma coisa. Fácil né?!

Agora hora de testar o novo material! Então seguem mais algumas dicas.

Usem sempre uma folha bem grande, pois no começo as crianças precisam de muito espaço, uma vez que, devido a pouca coordenação, utilizam o braço todo para desenhar, lembram? Não ofereçam desenhos prontos para serem pintados. A criança ainda não consegue respeitar os limites dos contornos e não será assim que irá treinar. Permitam a criação livre e o desenvolvimento da criatividade! (Mais para frente falaremos sobre o desenvolvimento do desenho)

Não utilize o método de desenhos dirigidos e “releituras” de pinturas famosas com as crianças pequenas. Acreditem não ajuda em nada – só atrapalha.

Algumas pessoas podem estar pensando se isso tudo não é balela, afinal já viram mãozinhas pequenas realizando a preensão de maneira correta. Sim, mas por imitação! Não foi uma conquista própria, portanto algum buraco de desenvolvimento ficará latente, esperando seu momento de revindicar atenção! Não compensa!

Na dúvida o mais simples sempre: folhas grandes, gizes adequados e coloridos e o principal, uma criança feliz exercendo sua criatividade!

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Visite o site para conhecer mais sobre meu trabalho: www.brincandoporai.com.br

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