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Como as crianças vivenciam as mudanças?

A maneira como as crianças passam por períodos de transição está extremamente vinculada a maneira como os adultos que cuidam delas se comportam nesses momentos.

Entendam “mudanças” como situações externas que ocorrem e interferem na rotina diária, pois afetam todo um contexto, ou seja, não se tratam, aqui, de questões intrínsecas, referentes ao desenvolvimento infantil, como saltos de crescimento, por exemplo.

Algumas histórias ajudarão a ilustrar a abordagem do tema:

  • Mudança de Moradia – Já passei por oito; três delas com crianças pequenas, então sei muito bem que não é nada fácil. Apesar de todo recomeço trazer consigo boas expectativas devido às promessas das novas possibilidades, não é forte o suficiente para permitir que todo o estresse passe despercebido. Dessa última vez embarcamos em uma aventura maior – mudamos de país. Antes da viagem – burocracia com papeladas, venda de móveis, fazer caber nas malas apenas o essencial e estimado por todos, crianças fora da escola; já no local – busca de uma nova moradia, adaptação cultural, novas burocracias e malas pra lá e pra cá o tempo todo. Ufa! A impressão é que nunca mais conseguiremos seguir uma rotina. No meio de todo caos, gripada e muito cansada, reparo como minhas filhas brincam felizes, com os olhinhos brilhando de curiosidade no novo ambiente. Meu coração bate tranquilo. Está tudo certo! Está tudo como deveria estar! A certeza vem quando a mais velha me abraça e diz parecer que estamos de férias. É isso mesmo. Os impasses a resolver não devem trazer qualquer desconforto para elas. Crianças não têm maturidade para lidar com assuntos desse tipo. Cabe aos adultos tentar preservar ao máximo uma rotina que traga segurança, a medida que buscam soluções para as demandas que se apresentam. Claro que, sempre que necessário ou quando estou bastante irritada, explico que algo está solicitando bastante a minha atenção no momento, mas que elas não precisam se preocupar, pois logo darei um jeitinho e tudo voltará a ser como era antes, ou melhor! Acho importante que elas percebam que não são as responsáveis pelas minhas preocupações. Assim a vida segue e tudo se ajeita mesmo, mas de um modo mais leve para todos ou pelo menos para elas! rs
  • Quando alguém da família adoece: Uma amiga enfrentou uma situação difícil há algum tempo. Após a realização de um exame de rotina, descobriu que estava com câncer de mama em um estágio consideravelmente avançado. Nessas horas o chão some e na mente só há espaço para incertezas. Na época a filha dela estava com 4 anos. Como explicaria para uma criança algo que nem ela compreendia e que não aceitava, pois não poderia garantir um desfecho desejado. Foi então que tomou uma decisão: viveria um dia por vez e melhoraria todos os seus hábitos. Contou para a menina que estava doente e que precisaria de tratamento. Prometeu que faria de tudo para melhorar o mais rápido possível, assim as duas poderiam pular a vontade em todas as camas elásticas do mundo – a paixão do momento. Em troca ganhou um beijo delicioso e muita compreensão. O tratamento foi chato, doloroso, mas muito recompensador. A filha tão cheia de energia, guardou as brincadeiras mais agitadas para compartilhar com o pai. Com a mãe era toda carinho e tranquilidade. Liam histórias juntas, assistiam filmes e botavam a imaginação para funcionar, produzindo manualidades lindíssimas. Encontraram um meio para se relacionarem bem nesse período tão imprevisível. Cada novo acontecimento era acolhido a seu tempo e sempre de modo criativo; como quando decidiram que os inúmeros lenços comprados ficavam melhor enfeitando o “vale encantado das fadas” do que a cabeça da mãe, que segundo a filha, estava linda careca! Valeu a pena! O médico disse que o tratamento foi um sucesso. Eu já acho que o mérito foi da maneira como essa família lidou com a situação. Como minha amiga disse: “De que adiantaria deixar todo mundo em pânico e triste?” E a promessa das camas elásticas? Para a alegria de todos, o projeto está em andamento!
  • A perda de um parente próximo: Que é triste ninguém duvida. Mas, apesar dos pesares é um processo natural e assim deve ser tratado. Certa vez, uma amiga muito querida foi incumbida de contar para seu afilhado de sete anos, que seu avô, uma pessoa muito especial para ele, havia morrido. Ser portadora de uma notícia tão triste não é tarefa das mais fáceis, por esta razão ela me solicitou uma mãozinha. Após uma conversa, chegamos a conclusão de que toda criança tem uma sensibilidade impressionante e captam tudo que acontece ao seu redor. Mascarar a situação seria apenas gasto desnecessário de energia. Contar a verdade de maneira simples, delicada e acolhedora seria o melhor caminho, além de explicar sobre o ritual de passagem escolhido (velório, enterro, etc) e deixar a criança decidir sobre sua participação ou não. Ele reagiu bem e teve um dia envolto em muito amor! Importante também que percebam, aos poucos, com o auxílio dos adultos, que a convivência não será possível, pois não haverá mais a presença física, porém, em compensação, poderão trazer a pessoa para perto toda vez que lembrarem dos momentos especiais entre ambos. Sempre vale ressaltar que é absolutamente normal sentir tristeza e que todos os estágios do luto infantil – da negação até a aceitação, devem ser respeitados. Nada de acelerar esse processo. Se o familiar mais próximo não estiver fortalecido o suficiente para lidar com a situação, não deve hesitar em pedir ajuda; como aconteceu nesse caso – a madrinha deu todo o suporte até que a mãe conseguisse recuperar as forças para enfrentar as mudanças que a perda trouxe. Nessas horas o apoio de amigos aquece o coração. Tudo fica bem, mas a saudade…. Ah! A saudade é uma coisinha chata que de vez em quando aperta o peito da gente!

As mudanças trazem surpresas desagradáveis, incertezas, insegurança, instabilidade, entre outros, mas também chegam carregadas de aprendizado e apoios calorosos. Da próxima vez que ela pintar na sua vida, diga sim e a encare com coragem! A resistência só dificulta o salto para dias melhores e mais tranquilos. As crianças, quando bem amparadas, passarão por tudo inteiras. Sabe o por quê? Porque elas confiam; confiam em quem amam, confiam que tudo ficará bem! Precisamos aprender com elas a confiar na vida! Não é sobre ingenuidade, pelo contrário, é sobre aceitação, sobre saber que não temos o controle de tudo e que tudo bem ser assim! Que os ventos das mudanças soprem leves para todos – como uma brisa de primavera!

Beijos e até a próxima!

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