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As paredes invisíveis da Tolerância

Em tempos de rápida propagação de ideias, em que as pessoas se sentem protegidas por uma tela para exporem tudo o que pensam, a convivência tem se tornado um desafio dos mais difíceis.

Não é raro ouvirmos sobre a importância da tolerância como um possível caminho para o resgate de relações mais harmônicas!

Será? Eu tenho minhas dúvidas!

Tolerância, do latim tolerare, ou seja, suportar, é um termo utilizado para designar uma ação condescendente perante algo que não se deseja ou não se pode impedir – um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.

Diferente da não aceitação explícita do preconceito, que cria barreiras nítidas e bem demarcadas, o ato de tolerar constrói, silenciosamente, perigosas paredes invisíveis.

Um exemplo:

Quem nunca assistiu a triste cena de pássaros que, durante o vôo, esbarram violentamente contra vidraças transparentes, nas grandes cidades? Se não lhes atingirem a fatalidade, podem ficar, no mínimo, bastante desorientados e machucados.

Algo semelhante ocorre com quem aprendeu, forçadamente, a ser tolerado! Isso porque, o silêncio ressentido da ação, não impede o nascimento de comparações e julgamentos, sustentados por dicotomias como certo-errado e crenças infundadas emprestadas de familiares e amigos.

É como se o respeito estivesse sempre ao alcance da vista, mas inatingível devido a invisibilidade dos obstáculos que, a cada topada, roubam um pouco da integridade emocional da pessoa.

Cotas raciais, religiões, diferenças socioculturais, comportamentos, entre outros, são tolerados, mas não sem antes provocarem isolamentos por descaso e falta de empatia.

A tolerância nada mais é do que a hipocrisia do fingimento, desmascarada por conversações que fecham as portas às réplicas dos considerados destoantes. Equivale a fazer uma pergunta ou comentário, direcionando a resposta que se quer obter e quase sempre se obtém, por constrangimento.  Algo do tipo: “Eu adoro azul, pois as outras cores me irritam demais! É claro que você também só gosta de azul, não é mesmo?”

Duvido que alguma pessoa neste mundo já tenha ouvido alguém dizer, feliz e satisfeito, que adora ser tolerado! Duvido!

Não nessa sociedade sedenta por likes nas redes sociais!

No fundo, todos queremos ser amados pelo que realmente somos, sem precisarmos fingir uma vida mais atrativa, aceitável e tolerável!

Mas o resgate de uma unidade mística grupal, carregada de uma identidade coletiva, fundamentada no modelo de vida dos principais detentores de poder, impedem a concretização de um desejo tão gritante e primitivo.

Com isso, a separatividade reina soberana e faz a festa, reunindo semelhantes em “times” que se autodenominam ativistas de causas extremamente (quando não extremistas) necessárias, numa ilusória e competitiva “brincadeira” sem fim! Sem contar que tamanho abafamento pode suscitar atitudes violentas indescritíveis, amparadas e validadas por ideologias distorcidas.

E, assim, os humanos dotados de cérebros tão capazes precisam que a ONU (Organização das Nações Unidas) institua o Dia Internacional da Tolerância!

“Então devemos assumir a intolerância?’ – pensarão as mentes mais preguiçosas.

Que tal se auto-educarem? Isso mesmo!

Trata-se de olhar para uma situação de incômodo e ter a maturidade suficiente para perceber que a problemática não está no outro, mas em si mesmo; de arrumar um meio de romper com as grossas correntes de crenças herdadas que aprisionam o pensar e resgatar a autonomia; de sair do esconderijo escuro e sufocante que conceitos mal interpretados oferecem aos desavisados; de se libertar e permitir que outros se libertem.

Só assim a aceitação das diferenças fluirá leve e de maneira autêntica, mais próxima do que se denomina aceitação e, claro, também do amor (tão démodé hoje em dia como a própria palavra démodé)

Se ninguém aceita ser tolerado, somente tolerar, pode acreditar que há alguma coisa errada com esse conceito, com certeza!

Beijos e até a próxima!

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