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As escolas que educam futuros líderes

Hoje resolvi compartilhar com vocês um questionamento que há algum tempo me incomoda. Não são poucos os métodos e abordagens educacionais que utilizam como bandeira, ou mesmo como marketing, a formação de futuros líderes.

As estratégias propostas variam desde a punição como conseqüência de uma desobediência ou de um possível (e mal visto) desvio, até o reconhecimento por “honrar” indiscutivelmente os objetivos traçados.

Pais, educadores e cuidadores, bem intencionados e preocupados com a educação de suas crianças, adotam com grande expectativa essa idéia e, preocupados em atingir o que lhes foi vendido, não atentam para o desconforto gerado ao longo desse complexo processo.

Complexo sim! A começar pela não equiparação de conceitos entre quem vende e quem compra esse, digamos, produto, fruto de uma sociedade capitalista e competitiva.

Mas, a liderança é algo ruim? É a pergunta que talvez possa surgir durante a leitura desse artigo.

Claro que não. Um líder é alguém que influencia positivamente uma pessoa ou um grupo, por apresentar um comportamento modelo; por esbanjar coerência nas suas atitudes – suas ações refletem o que prega ou o que simplesmente defende; por buscar a união de forças e não incitar a competição; por conhecer a demanda de sua equipe e, desse modo, se prontificar a estar a serviço da mesma; por identificar o potencial daqueles que o cercam e utilizar essa informação como fator motivacional; por confiar e delegar responsabilidades de maneira honesta; por dar voz ao outro; por ouvir cuidadosamente as queixas e sugestões individuais; por buscar a participação coletiva na tomada das decisões e, para encurtarmos, por buscar o benefício de todos os envolvidos nas questões trabalhadas. Claro que estamos falando de uma liderança com um pé na democracia, ou até mesmo no liberalismo, em que a participação do líder é limitada. Esse tipo de liderança costuma surgir naturalmente, ao longo do desenvolvimento da maturidade e, geralmente, aflora em pessoas bem resolvidas ou comprometidas com sua auto-educação (falamos um pouco sobre isso no post anterior) que nem sequer almejavam tal título, pois essa é a maneira natural de se comportarem. Costumam ser pessoas bastante disponíveis, que colocam a mão na massa, que sempre se prontificam a ajudar e que entendem que para transformarem positivamente alguma coisa, precisam ter paciência, tolerância, empatia, força de vontade e encarar um árduo trabalho.

O que me preocupa não é isso. Minha preocupação é com a liderança que é amplamente difundida por esses métodos e generosamente aplaudida pela sociedade. Uma liderança autocrática, na qual o líder impõe as suas idéias e decisões ao grupo, sem ouvir qualquer opinião ou sugestão, pois não lhe importa. Já ouviu o ditado “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”? Então…Muitas pessoas cresceram acreditando piamente nessa abominável crença e, pior, a perpetuam.

E é isso que compram. Uma educação que visa transformar seus rebentos em uma respeitosa e rica liderança, para que, assim, possam ter um futuro melhor que os seus “subordinados” pais.

Essas abordagens baseiam suas ações na meritocracia, na competitividade, na comparação, na obediência (também já falamos sobre isso no post “A importância da desobediência”), no conservadorismo e acreditam que certas habilidades como carisma, respeito, disciplina, capacidade de influência, entre outras, podem ser treinadas, enquanto preenchem o indivíduo com ideais alheios e que não levam em consideração nem ao menos o desejo ou não de se tornar um líder. Já pensou que alguém pode não querer?

Se está matriculado na escola que forma “futuros líderes”, os “líderes do amanhã”, esse indivíduo não tem tal opção. Qual o tamanho da frustração de não conseguir alcançar o que sonharam para ele ou de até conseguir, mas, não ser feliz com isso? Imensa!

Em um dos livros que ousei ler, um conceituado e respeitado teórico fala sobre a importância dos pais “tomarem a lição” de seus filhos, para que possam acompanhar o que eles estão assimilando do conteúdo passado na escola. Caso haja avanços, a criança pode ser recompensada com algo que lhe agrada. Porém, se a criança não conseguir, devem retirar dela, algo de muita estima, que só será devolvido quando o combinado for cumprido. Em nenhum momento ele considera a possibilidade da criança apresentar alguma dificuldade de compreensão ou de estar desmotivada para tão maçante feito, uma vez que a escola nem sempre apresenta de maneira convidativa e significativa seus conteúdos.

Pergunto-me: como se desenvolvem a auto-estima, a autoconfiança e o conceito sobre respeito, nessa criança que precisa assimilar conteúdos e provar que entendeu tudo direitinho, por meio de avaliações, sem questionar nada, para poder merecer o reconhecimento do outro?

Não se desenvolvem ou se desenvolvem de maneira distorcida, do exterior para o interior, revelando uma forma de liderança insegura, na qual o outro e os próprios desejos são vistos como ameaças.

As ocupações das escolas (embora ninguém ocupe o que já é seu), realizadas recentemente, trouxeram uma luz para o futuro da educação. Os jovens mostraram o interesse de maior participação nas decisões que lhes são cabíveis. Deixaram claro que a oferta atual de ações que lhes empurram goela abaixo, não representa a classe estudantil e sim, a liderança impositiva que não lhes dão voz. Querem construir junto, pois é feito para eles, não é mesmo?! Querem derrubar as barreiras entre o âmbito de ensino e a comunidade. Querem a liberdade de desenvolverem suas potencialidades de maneira inclusiva e cooperativa. Querem respeito!

Conseguiram, de maneira organizada, atrair colaboradores e simpatizantes. Liderança? Não! Protagonismo!

Muitas pessoas questionaram o porquê desses jovens continuarem nos espaços, após a revogação da reorganização escolar. Porque sabem que a garantia de uma liderança autoritária e desacreditada, por não cumprir com a sua palavra, é garantia nenhuma. Além do mais, provar algo mais atrativo, significativo e que resgata a força de vontade e autonomia e voltar para o limitante modelo de sempre é mesmo um banho de água fria.

Será que precisamos de tantos líderes?

Por menos escolas que formam futuras lideranças e por mais escolas que permitam o florescimento do protagonismo!

 

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Abraços e até a próxima!

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