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Algumas frases que talvez vocês tenham ouvido dos seus pais, mas não deveriam reproduzir com os seus filhos.

Vocês já devem conhecer a maioria delas! Arrisco chutar que, automaticamente, as reproduzam utilizando a mesma entonação a qual cresceram ouvindo.

Querem ver só…

1)  Os pais educam e os avós estragam!

Parece engraçadinha, mas não é! Juro que me esforço, mas, sinceramente, não consigo enxergar nada de positivo aí, e, inclusive, chego a me espantar pela aceitação social de tamanho disparate. Não há problemas que as crianças encontrem nas figuras dos avós uma possibilidade de convivência mais flexível, porém há bastante diferença entre a flexibilidade e o “poder tudo”. A flexibilidade advém do respeito. Respeito pelas normas das casas de outras pessoas, pela autonomia que elas têm em seus espaços e pelas decisões que tomam quando as crianças estão sob os seus cuidados. A frase acima, no entanto, pressupõe que esse mesmo respeito deve ser uma via de mão única: os avós cuidam dos netos sem precisarem aceitar os acordos existentes entre pais e filhos. Neste caso, uma zona de conforto e de risco tende a aparecer: as crianças começam a entender que alguns combinados são relevantes apenas para os pais e, que, portanto, devem ser colocados em prática apenas na presença deles, além de aprenderem que podem conseguir algo por meio da fragilidade que se encontra no lado mais promissor da corda; basta apenas usar a conhecida chantagem emocional. A quebra de acordos pode acarretar, ainda, na existência de um segredo entre avós e netos – como se ensinar um ser vulnerável a esconder comportamentos envolvendo adultos fosse uma excelente ideia!

Parece exagero, não é mesmo? Afinal, o que há de errado em avós mimarem seus netos? Nada de errado desde que não confundam afeto com permissividade excessiva e desrespeito. E olha que muitos confundem!!! E ficam felizes quando os netos fazem comparações desqualificando os pais.  Para mim, isso nada mais é que um jeito torto e triste de se sentir querido e importante no meio familiar, além de perpetuar um comportamento inadequado.

Visto as novas configurações familiares, tal pensamento já era pra ter caído por terra há tempos. Com certeza, avós que são os principais cuidadores dos netos sabem muito bem do que eu estou falando.

2) Qualquer uma que comece com “Filho (a) meu (minha)…”

A famosa frase precursora de preconceitos! Podem completar como quiserem!

Exemplos: Filha minha não se veste desse jeito. Filho meu não brinca de boneca. Filha minha não fala palavrões. Filho meu não chora… e a lista segue infindável!

Geralmente são usadas para expressar os valores que se pretende passar de maneira controladora e intolerante, ou seja, sem levar em consideração a individualidade e o desejo do outro. Claro que também revela a educação recebida, conservadoramente cristalizada no adulto que a pronuncia. Atesta que o que destoa do meio familiar não pode ser bem visto e aceito em uma sociedade onde a realização pessoal é menos importante do que o olhar alheio.

A criança cresce em conflito quando seu caminhar sai dos trilhos criados pelas pessoas que dizem lhe querer bem. Não é raro desistirem de suas metas em prol de tamanho empenho realizado. Quando adultos, buscam justificativas para apaziguar a vida morna que levam, afinal também devia fazer parte do combo a frase “Querer não é poder”, e, infelizmente, passam pra frente uma maneira tão limitadora de viver a vida, bem como um modelo de intolerância frente às diferenças. Dá-lhe julgamento pra quem resolve ser livre.

E tem mais! Esta frase já acompanha as pessoas antes mesmo dos filhos chegarem. Basta presenciar um episódio de birra ou choro de uma criança em algum local público; não faltará quem diga: se fosse filho meu…

3) Eu só queria que você conquistasse tudo o que eu não consegui!

A comprovação de que o inferno está cheio de boas intenções! Já pensou o peso que carrega uma pessoa que mal consegue dar conta dela mesma e ainda tem que dar conta das expectativas alheias? Fardo demais para um simples mortal, não?! É até compreensível que os pais queiram o melhor para os filhos e que tomem como medida as próprias experiências vividas, sejam elas boas ou ruins. Por identificação e empatia não desejam e se esforçam para que aqueles que amam não passem as limitações que tiverem que suportar e para que consigam realizar seus sonhos. E é justamente neste ponto que a linha é bem tênue. Há quem confunda realizar SEUS sonhos com realizar MEUS sonhos. Há quem enxergue nos filhos a continuidade de um projeto de vida deixado para trás. Há quem fique cego a ponto de não perceber que está fazendo com outra pessoa o que também já vivenciou na pele e ainda leva consigo em forma de ferida aberta. Há quem sobrecarrega o outro de projeções e, assim, não consegue mais enxergar a beleza do brilho próprio, da liberdade de não ser uma promessa. Há quem! Cuidado!

4) Ser mãe é padecer no paraíso.

A clássica! A mãe que nunca falou esta frase que atire a primeira fralda, às 3 horas da manhã, enquanto amamenta seu bebê que está febril e irritado porque todos os dentes resolveram nascer ao mesmo tempo!

Brincadeiras a parte, o que me incomoda nesta premissa tão conhecida e divulgada é o ônus dado a maternidade. Não me lembro de alguma semelhante que transmita as agruras e belezas de ser pai e, se existisse, também não seria bacana. Tais afirmações apenas reforçam os papéis sociais atribuídos aos homens e às mulheres, e, repetidas como um mantra, se tornam aceitas e são passadas adiante junto com os valores, os quais embasamos a educação das crianças. Tal frase, em particular, traz, ainda, um certo tom conformista, ou seja, “é assim mesmo meu bem, relaxe!”. Felizmente, os pais estão cada vez mais participativos e conscientes que essa participação não é nada do outro mundo,  pelo contrário, é uma atuação natural dentro de uma família que divide as demandas de modo que ninguém se sinta sobrecarregado.

A frase também visa amenizar, um pouco, a verdade que ninguém contou sobre ter filhos. Antes do bebê nascer tudo parece lindo, um verdadeiro paraíso reforçado pelo consumismo e pela mídia: o quarto, a amamentação olho no olho – sempre na confortável poltrona destinada a este fim, a alimentação saudável da mãe que logo volta a se exercitar, os banhos de sol diários, as pequenas grandes conquistas dessas fofuras que enchem os pais de orgulho. Mas, e o peito rachado e dolorido? E as noites mal dormidas, amamentando até em pé para continuar embalando o bebê que berra, pois não suporta a inércia? E a loucura dos hormônios no puerpério?  E a casa bagunçada? E a dificuldade para fazer as coisas com o bebê no colo o tempo todo, heim?!

Ah! Ser mãe é padecer no paraíso. Faz parte… Só que não! Uma ajuda não só é bem-vinda como necessária! Não deixemos que as crianças cresçam acreditando que as funções obedecem gêneros e que, além da educação dos filhos, a mulher deve padecer para que todos possam desfrutar do paraíso de um lar digno de um “comercial de margarina”.

Essas foram apenas algumas. Claro que existem muitas outras frases! A minha proposta é que levemos uma vida mais leve, que nos libertemos de crenças limitadoras que impedem o nosso progresso pessoal e que prejudicam o nosso relacionamento com aqueles que amamos. Fica a reflexão para quando vocês perceberem que estão com o modo “Não Vale a Pena Ouvir de Novo” ligado, mudarem rapidamente a frequência. Sempre existe a possibilidade de fazermos diferente e podemos começar a qualquer momento.  Por que não?! Vale a pena tentar!

Beijos e até a proxima!

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